sábado, 14 de julho de 2012

CULTURA NORDESTINA
1º LUGAR NO CONCURSO CULTURAL DA RÁDIO SOCIEDADE DA BAHIA, NA CATEGORIA CORDELISTA
(Creusa Meira)
O Nordeste brasileiro
Pela seca, castigado
Não se dobra às intempéries
Não se sente injustiçado
Ao contrário, mantém viva
A riqueza que cultiva
Nos anais de cada estado

Os estados que compõem
Esta vasta região
Desde Rio Grande do Norte
Sergipe, Bahia, vão
Paraíba, Ceará
Piauí, Alagoas a
Pernambuco e Maranhão.

Neste pedaço de chão
A alegria predomina
Nos festejos populares
Que a tradição ensina
A deixar a chama acesa
Irradiando a beleza
Da cultura nordestina

Um traço aqui determina
Neste tão belo cenário
Ativa nossa memória
Inspira o imaginário
Lembrança que nos afaga
Do mestre Luiz Gonzaga
No ano do seu centenário

O filho de Januário
Nasceu, cresceu no sertão
De Pernambuco saiu
Sem ter do pai, permissão
Foi mais tarde, consagrado
No Brasil considerado
O eterno Rei do Baião.

Nordeste é a região
De destacados luzeiros
São nomes que repercutem
No cenário brasileiro
Da música, literatura
Danças, ritmos, cultura
Correndo o mundo inteiro


E no versejar ligeiro
Faço a minha homenagem
Aos poetas populares
Que deixam sua mensagem
Cantando com maestria
Transformam dor em poesia
Dificuldade em coragem

Faço também a viagem
Pelos cercos do passado
Revivendo os costumes
Que ficaram preservados
Construindo a história
Na lembrança, na memória
Um tempo eternizado

Festa de São João, reisados
Pau de sebo, carnaval
Quadrilha, bumba meu boi
Fogueiras  no arraial
Comidas, artesanato
Folguedos que são de fato
Um celeiro cultural.

Salvador-BA, 14/07/2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012


UM ADEUS... UMA SAUDADE...

Caires ou Zé Meira para muitos e simplesmente Zé meu irmão, um ser humano incrível! Tivemos uma infância linda, aprendendo a dividir tudo, até uma goiaba verde arrancada no pé. Crescemos assim, sem ambição nenhuma, a não ser o desejo de descobrir novos caminhos. Zé era aquele menino bom que corria atrás de uma bola de pano e nunca magoava ninguém, não mentia e era até castigado muitas vezes por isso. Crescemos e ficamos mais unidos, ele tinha muitas ideias, muitos sonhos e chorava quando seu time perdia. Veio estudar em Salvador com a cara e a coragem, arranjou logo um emprego, fotógrafo do governador, com o primeiro salário comprou presentes para todos. Chegava ao interior e nos ensinava tudo o que aprendia, abriu novos caminhos para nós, seus irmãos. Sua vida foi pautada na honestidade, no compromisso com as lutas sociais, na alegria constante que irradiava... O seu amor à cultura não se restringia às constantes idas a shows, teatros, recitais de poesia, ele fazia mais, o seu desejo era promover eventos que despertassem esse gosto nas pessoas. Foi assim com as semanas de cultura, Jornada
Lindembergue Cardoso em Livramento e os eventos no Sindicato dos Médicos. Resumindo, continuou aquele menino bom até a hora que a terra ficou pequena demais para o tamanho do seu coração. Nesta peleja virtual com o parceiro amigo José Walter (Zewalter), que nasceu nos intervalos dolorosos, logo após o falecimento de Zé, procuramos expressar, nessa linguagem de cordel, um pouco da sua vida e trajetória humanística, porque o poeta, mesmo sob a dor cortante da saudade, ainda encontra
inspiração para traduzir em pura poesia os sentimentos que lhe invadem a alma e se transformam em bálsamo para amenizar essa prematura partida.
Saudades eternas,
Creusa



LOUVAÇÃO A ZÉ CAIRES MEIRA


CM- Meu irmão era alegria
Tanto bem eu lhe queria
Vem a morte e silencia
Até nosso poetar
É preciso imaginar
Modo novo de viver
Sem a dor, sem o sofrer
No quadrão à beira mar


ZW- Era festa seu irmão
Esse filho do sertão
Que partiu sem permissão
Para saudades deixar
Em todos que vão ficar
Pois não tem graça morrer
Para poder merecer
Um quadrão à beira mar


CM- Zewalter, meu grande amigo
Quero versejar contigo
Mas eu não sei se consigo
Pois estou só a chorar
Como é que vai ficar
A vida agora em diante
Com o meu irmão distante
Do quadrão à beira mar


ZW- Querida amiga, respeito
A dor que lhe fende o peito
Mas seu prostrar-se rejeito
Pois é preciso lutar
E novo alento encontrar
No caminho a percorrer
Nesse eterno vir a ser
Do quadrão à beira mar


CM -O amigo diz a verdade
Mas doi tanto esta saudade
Que parece crueldade
Deste sonho, acordar
A lembrança há de ficar
Do menino da alegria
Que era só canto e poesia
No quadrão à beira mar


ZW- Assim, minha amiga, enxergo
Nessas palavras que prego
A saudade que carrego
Desse amigo singular
Um exemplo a se imitar
Transbordante de energia
Que a todos oferecia
No quadrão à beira mar


CM -Em vida ele nos dizia
Que a grandeza consistia
Na beleza que existia
De uma estrela a brilhar
Para o caminho trilhar
Na luta por igualdade
De toda a sociedade
No quadrão à beira mar


ZW - Ele fez a trajetória
De maneira meritória
Para merecer a glória
Como um líder popular
Que ninguém há de olvidar
Na luta sindicalista
Foi um médico humanista
No quadrão à beira mar


CM - Atravessou sete mares
Construindo os pilares
Dos anseios populares
Sem medo de fracassar
Sua vida era lutar
Por justiça social
Seu sonho, seu ideal
No quadrão à beira mar


ZW- O líder não tem fronteiras
Nessas lutas costumeiras
Da igualdade, mensageiras
Como aprendeu a sonhar
Sem jamais desanimar
Navegante destemido
Rumo ao porto pretendido
No quadrão à beira mar


CM -Seu valor reconhecido
Pelo muito construído
É o que nos dá sentido
À luta continuar
Ele está a nos guiar
Iluminando o caminho
Voando qual passarinho
No quadrão à beira mar


ZW -Só se tem a vida cheia
De valores, quem semeia
Sob a bandeira que hasteia
Sementes pra germinar
E delas poder cuidar
Irrigadas de esperança
Pelo dia da bonança
No quadrão à beira mar


CM - Se a vista não mais alcança
Fica vivo na lembrança
Um penhor de segurança
Que muitos irão herdar
E quando a dor acalmar
Os frutos serão colhidos
Lançados, distribuídos
No quadrão à beira mar


ZW- “Morre o homem fica a fama”
Conforme a canção proclama
E se torna viva chama
Eternamente a brilhar
Pois não se pode apagar
As indeléveis pegadas
Pelas trilhas palmilhadas
Do quadrão à beira mar


CM - Sigamos, pois, a estrada
Por ele, iluminada
Sabendo que a jornada
É difícil de enfrentar
A força há de brotar
Deste momento sofrido
De sonho interrompido
No quadrão à beira mar


ZW - Vamos juntos, companheira
Nessa estrada alvissareira
Construída por Zé Meira
Com intrepidez sem par
Como pôde demonstrar
Com uma extrema paixão
Para cumprir a missão
No quadrão à beira mar