segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012


UM ADEUS... UMA SAUDADE...

Caires ou Zé Meira para muitos e simplesmente Zé meu irmão, um ser humano incrível! Tivemos uma infância linda, aprendendo a dividir tudo, até uma goiaba verde arrancada no pé. Crescemos assim, sem ambição nenhuma, a não ser o desejo de descobrir novos caminhos. Zé era aquele menino bom que corria atrás de uma bola de pano e nunca magoava ninguém, não mentia e era até castigado muitas vezes por isso. Crescemos e ficamos mais unidos, ele tinha muitas ideias, muitos sonhos e chorava quando seu time perdia. Veio estudar em Salvador com a cara e a coragem, arranjou logo um emprego, fotógrafo do governador, com o primeiro salário comprou presentes para todos. Chegava ao interior e nos ensinava tudo o que aprendia, abriu novos caminhos para nós, seus irmãos. Sua vida foi pautada na honestidade, no compromisso com as lutas sociais, na alegria constante que irradiava... O seu amor à cultura não se restringia às constantes idas a shows, teatros, recitais de poesia, ele fazia mais, o seu desejo era promover eventos que despertassem esse gosto nas pessoas. Foi assim com as semanas de cultura, Jornada
Lindembergue Cardoso em Livramento e os eventos no Sindicato dos Médicos. Resumindo, continuou aquele menino bom até a hora que a terra ficou pequena demais para o tamanho do seu coração. Nesta peleja virtual com o parceiro amigo José Walter (Zewalter), que nasceu nos intervalos dolorosos, logo após o falecimento de Zé, procuramos expressar, nessa linguagem de cordel, um pouco da sua vida e trajetória humanística, porque o poeta, mesmo sob a dor cortante da saudade, ainda encontra
inspiração para traduzir em pura poesia os sentimentos que lhe invadem a alma e se transformam em bálsamo para amenizar essa prematura partida.
Saudades eternas,
Creusa



LOUVAÇÃO A ZÉ CAIRES MEIRA


CM- Meu irmão era alegria
Tanto bem eu lhe queria
Vem a morte e silencia
Até nosso poetar
É preciso imaginar
Modo novo de viver
Sem a dor, sem o sofrer
No quadrão à beira mar


ZW- Era festa seu irmão
Esse filho do sertão
Que partiu sem permissão
Para saudades deixar
Em todos que vão ficar
Pois não tem graça morrer
Para poder merecer
Um quadrão à beira mar


CM- Zewalter, meu grande amigo
Quero versejar contigo
Mas eu não sei se consigo
Pois estou só a chorar
Como é que vai ficar
A vida agora em diante
Com o meu irmão distante
Do quadrão à beira mar


ZW- Querida amiga, respeito
A dor que lhe fende o peito
Mas seu prostrar-se rejeito
Pois é preciso lutar
E novo alento encontrar
No caminho a percorrer
Nesse eterno vir a ser
Do quadrão à beira mar


CM -O amigo diz a verdade
Mas doi tanto esta saudade
Que parece crueldade
Deste sonho, acordar
A lembrança há de ficar
Do menino da alegria
Que era só canto e poesia
No quadrão à beira mar


ZW- Assim, minha amiga, enxergo
Nessas palavras que prego
A saudade que carrego
Desse amigo singular
Um exemplo a se imitar
Transbordante de energia
Que a todos oferecia
No quadrão à beira mar


CM -Em vida ele nos dizia
Que a grandeza consistia
Na beleza que existia
De uma estrela a brilhar
Para o caminho trilhar
Na luta por igualdade
De toda a sociedade
No quadrão à beira mar


ZW - Ele fez a trajetória
De maneira meritória
Para merecer a glória
Como um líder popular
Que ninguém há de olvidar
Na luta sindicalista
Foi um médico humanista
No quadrão à beira mar


CM - Atravessou sete mares
Construindo os pilares
Dos anseios populares
Sem medo de fracassar
Sua vida era lutar
Por justiça social
Seu sonho, seu ideal
No quadrão à beira mar


ZW- O líder não tem fronteiras
Nessas lutas costumeiras
Da igualdade, mensageiras
Como aprendeu a sonhar
Sem jamais desanimar
Navegante destemido
Rumo ao porto pretendido
No quadrão à beira mar


CM -Seu valor reconhecido
Pelo muito construído
É o que nos dá sentido
À luta continuar
Ele está a nos guiar
Iluminando o caminho
Voando qual passarinho
No quadrão à beira mar


ZW -Só se tem a vida cheia
De valores, quem semeia
Sob a bandeira que hasteia
Sementes pra germinar
E delas poder cuidar
Irrigadas de esperança
Pelo dia da bonança
No quadrão à beira mar


CM - Se a vista não mais alcança
Fica vivo na lembrança
Um penhor de segurança
Que muitos irão herdar
E quando a dor acalmar
Os frutos serão colhidos
Lançados, distribuídos
No quadrão à beira mar


ZW- “Morre o homem fica a fama”
Conforme a canção proclama
E se torna viva chama
Eternamente a brilhar
Pois não se pode apagar
As indeléveis pegadas
Pelas trilhas palmilhadas
Do quadrão à beira mar


CM - Sigamos, pois, a estrada
Por ele, iluminada
Sabendo que a jornada
É difícil de enfrentar
A força há de brotar
Deste momento sofrido
De sonho interrompido
No quadrão à beira mar


ZW - Vamos juntos, companheira
Nessa estrada alvissareira
Construída por Zé Meira
Com intrepidez sem par
Como pôde demonstrar
Com uma extrema paixão
Para cumprir a missão
No quadrão à beira mar